A ordem é agora definitiva, pelo que na próxima quarta não haverá aula.
Proponho um exercício (chamemos-lhe #10, porque já fizemos para aí uns nove, pelo menos a maioria):
Comprem o jornal i ou o Sol, porque tem cronistas mais fraquitos, e escolha uma crónica ou uma notícia que considere pode ser melhorada.
Entrementes, uma observação em relação ao exercício da frase trivial: «UM CAFÉ, POR FAVOR.»
Para além de haver dezenas de formas de pedir um café - eu quero/eu queria, desejava, com por favor no princípio ou no fim, etc.) há também modificadores na pontuação, no gaguejar - «U-um c-c-café, p-por favor», no tom (susurrado, gritado, mavioso etc.), e no tipo de letra.
Ou no tamanho.
A lição é: há todo um universo de possibilidades até para a frase mais simples. Um conselho que um editor pode dar a um autor é, por exemplo: «Olhe, escreveu o teu livro na primeira pessoa. Não quer experimentar pôr na terceira, a ver como funciona?»
Ou: «O livro está no passado - e que tal ver se ficaria bem no Presente do Indicativo?»
Outras vezes, a ordem dos capítulos ou dos parágrafos melhora se for alterada.
Antigamente, era raro um romance ter uma prolepse - uma cena no futuro deslocada imediatamente para o início. Hoje, nos livros policiais, é banal: é um dispositivo que mostra, logo a abrir, que vai haver sexo e sangue.
Neste antigamente doirado (e parcialmente enganoso), o leitor era surpreendido lá para a página 150, após um crescendo lento. Mas hoje há que mostrar logo que o livro «não vai desiludir».
O mesmo nos trailers dos filmes: ainda hoje há uma diferença entre os filmes de autor europeus e os comerciais americanos: os europeus mantêm no trailer um ar de mistério (às vezes, quem frequenta o Nimas sabe-o, em demasia); os americanos não, quase mostram tudo - ficamos logo a saber quem vai ser o traidor.
É uma mudança no gosto, na atenção, no mercado, no leitor e no espectador.
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Professor Rui, podemos enviar as nossas propostas de melhoramento das crónicas/notícias para o seu email? É também possível fazê-lo amanhã ou tem de ser hoje?
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